la biennale di Venezia - 10. mostra di architettura (dia 1)

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O sol brilhava e a cidade das gôndolas abria as suas portas aos turistas. A cada chegada de comboio, uma nova remessa de gente fervorosa de visitar este local se dirigia como um exército para fora da estação, na tentativa de tirarem as suas primeiras fotos aos canais e às casas características deste espaço. Por todo o lado as barracas de ‘souvenirs’ estavam já repletas de lembranças que faziam as delícias dos recém-chegados que ainda nem sequer tinham aberto os olhos para a cidade.

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A bienal de Veneza esperava-nos do outro lado da cidade nos famosos Giardini, um local pouco visitado por turistas mas, nestes dias, bastante visitado por uma espécie de gente que acima de tudo tinha um propósito para lá ir. Quisemos dirigirmo-nos directamente para a Bienal e decidimos apanhar o transporte público da cidade: o Vaporetto. A viagem magnífica através do canal grande dá para ter uma percepção do que foi sendo a cidade até então. Grandes construções, de épocas diferentes, coabitam naquele espaço místico onde a água e a humidade vai deixando as suas marcas profundas nas paredes que nos cercavam. Em cada ponte passada estavam sempre imensos grupos de turistas em sentido com as suas câmaras fotográficas apontadas em gestos bélicos a tudo o que os envolvia.

Após a demorosa viagem até à outra ponta da cidade, estávamos perante os Giardini, um imenso parque que finaliza a ilha principal da cidade e onde estaria uma das duas partes da Bienal de Veneza. Assim, começamos pelo pavilhão espanhol, todo ele dedicado às mulheres que intervêm nas cidades espanholas, desde arquitectas, gerentes de grandes lojas, pensadoras, investigadoras, urbanistas, … Todas elas nos falavam nos olhos enquanto passeávamos pela exposição. Todas tinham algo a dizer sobre a arquitectura mas só as arquitectas é que expunham as suas próprias obras, algumas já bastante publicadas e outras que mesmo sendo uma surpresa não deixavam de ser objecto de interesse na exposição.

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Ao lado se situava o pavilhão da Bélgica com a sua exposição La Beauté de l’ordinaire, composta por algumas projecções sobre o território belga e uma grande sala com o mapa da Bélgica impresso no chão. Ora, qual será o interesse de expor o ordinário numa exposição de arquitectura? Será apenas filmar as cidades e o território como se tratasse de um olhar de uma criança? A percepção que se teve desta exposição foi que os autores ao quererem representar o ordinário caíram eles próprios no ordinário pois, mostrar o ordinário não se trata só de mostrar imagens aleatórias de algo, trata-se de dar uma visão única do ordinário, algo que realmente saia do ordinário e que ganhe interesse para ser mostrado para que não seja apenas um acto de listagem aleatória de coisas ordinárias.

Perto do anterior estava o Lisboscópio uma das presenças de Portugal na exposição. Tratava-se de uma pequena instalação audiovisual em que éramos confrontados com uma imagem panorâmica da cidade de Lisboa, sem explicações nem textos. Uma obra um pouco abstracta e difícil de ser compreendida.

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Mais à frente apresentava-se o pavilhão dos países nórdicos num estilo sóbrio e totalmente aberto para o exterior, antevendo a exposição que continha no seu interior. Tratava-se de uma exposição sobre intervenções nas cidades de Tromsø na Noruega, Kiruna na Suécia e Oulu na Finlândia. Cada uma das cidades nórdicas apresentava características únicas o que tornava o tipo de intervenção também único, acompanhado de maquetas de edifícios propostos, fotografias dos ambientes de cada cidade e textos explicativos. De uma forma muito clara a exposição mostrava-nos como estas cidades nórdicas nada têm que ver com as cidades do sul e centro da Europa e como as suas particularidades exigem uma adequação dos programas e ideias de projecto para que respondam às suas exigências particulares.

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Junto a este pavilhão encontrava-se o pavilhão da Rússia com uma exposição um pouco inquietante sobre o olhar do arquitecto Alexander Brodsky perante a realidade dos blocos habitacionais comunistas. Em todas as instalações apresentadas, havia uma visão caricatural e bastante crítica sobre a actualidade russa com a intenção de mostrar uma realidade às pessoas e fazê-las reflectir sobre os modos de vida desse país.

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O pavilhão da Venezuela da autoria de Carlo Scarpa apresentava uma exposição um pouco chocante pelo modo como nos era apresentada. Compunha-se de uma série de imagens gigantes de favelas venezuelanas com apenas um pequeno texto provocativo no centro onde arquitectos venezuelanos nos confrontavam directamente sobre a sua realidade e do modo como os países ocidentais tendem a intervir no território sul-americano, numa tentativa de nos fazer reflectir sobre o que está a ser feito e de tentar evitar utilizar soluções europeias em países não europeus.

O pavilhão da Dinamarca mostrava uma exposição distinta dos anteriores e mais de acordo com a temática geral da Bienal de Veneza. Grupos de arquitectos dinamarqueses trabalharam em conjunto com arquitectos chineses de forma a investigar, analisar e projectar soluções para a problemática explosão demográfica das metrópoles chinesas. Séries de análises identificavam os problemas aos mais diversos níveis das mega-metrópoles na China e, posteriormente eram mostrados mega-projectos com soluções inventivas, por vezes um pouco utópicas, de como se poderia construir de forma a responder às questões levantadas anteriormente.

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De seguida o pavilhão da Holanda, de Thomas Rietvelt, mostrava-nos uma exposição baseada em desenhos de arquitectos modernistas holandeses. Nada de Koolhas ou MVRDV, desta vez decidiram mostrar as visões de cidades dos grandes arquitectos do século XX através de esplêndidos desenhos dos mesmos. Era mais uma exposição de desenhos do que de arquitectura, mas ainda assim muito interessante, pois é uma faceta da arquitectura que está cada vez mais esquecida.

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O pavilhão da Finlândia de Alvar Aalto mostrava no seu interior uma pequena exposição de arquitectura contemporânea ligada às habitações feitas no país através de apaixonantes fotografias interiores de casas e edifícios de habitação construídos por toda a Finlândia. Uma exposição simples e concisa mas bastante exemplificativa do que por lá se faz.

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De seguida se apresentou o pavilhão da França com uma intervenção no mínimo original. Tratava-se de um pavilhão neoclássico que continha uma exposição sobre o habitar mas, de uma forma bastante experimental. A parte central da exposição era constituída por uma grande estrutura em andaimes que formavam os espaços de uma casa à medida que se subia de piso. Assim, no primeiro patamar encontrava-se a cozinha, elaborada de uma forma original, com materiais recicláveis, subindo ao segundo patamar encontrava-se o espaço de sala de estar, o terceiro patamar continha o quarto antes de a estrutura perfurar o tecto do edifício da exposição e de nos encaminhar para o andar seguinte, este agora exterior que encimava a fachada principal do pavilhão e que continha de um lado a casa de banho, a meio uma plataforma que nos projectava para fora dos limites do edifício e, do outro lado um espaço de sauna, solário e ainda piscina. Ainda neste piso havia um novo acesso para uma continuação da estrutura desta vez em forma de torre que culminava numa cama de rede onde se poderia deitar e apreciar toda a paisagem dos Giardini. Era uma intervenção bastante interessante, uma reinvenção da estrutura em andaimes usualmente usada para obras em edifícios mas, que neste caso ela mesmo se torna o edifício, gerando e organizando espaços.

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Após toda esta visita ainda ficaram por ver alguns pavilhões que certamente teriam exposições interessantes, mas chegadas as 18 horas fomos avisados de que já tudo estava fechado e não poderíamos continuar a ver as exposições. Ainda assim, o bilhete da Bienal ainda permitia a entrada na segunda parte da exposição situada no Arsenal. Mas isso seria no dia seguinte, agora só nos restava gozar o famoso pôr-do-sol amarelo de Veneza.

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www.labiennale.org/it/architettura/ www.venicesuperblog.net/

por João Sousa

6 Responses to “la biennale di Venezia - 10. mostra di architettura (dia 1)”


  1. 1 Vampir0

    Belo passeio que fizeste :) ..tou a ver que o pavilhão reservado a Espanha era o melhor de todos.

  2. 2 nieves

    sin duda :P

  3. 3 Jota

    Eh pa…
    Sim senhor!!és tudo menos egoísta…fico contente por partilhares as tuas experiência lá por terras de Itália!É pena é que só relates trabalho e lazer…;)
    Depois faço-te o meu relato também e tu publicalezio..ok?lol

    Espermos que em breve surjam aqui trabalhos feitos n’O ATELIER’!!

    MRP

  4. 4 Arquitectura.pt

    Foi um bom passeio sem dúvida!

  5. 5 Rogerio

    Muito boas as suas fotos.

  6. 6 claudia

    este foi so um dos fantasticos dias que la passamos.

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