Casa K em Stocksund, Tham & Videgård Hansson Arkitekter

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Não é a primeira vez que me impressiono ao conhecer e analisar habitações unifamiliares na Suécia. Há qualquer coisa, nos locais, nos materiais, nas texturas, nos métodos que me cativa imenso em determinadas construções escandinavas. Esta casa desde logo se fixou na minha memória através das imagens e textos que encontrei no blog Arkinetia.

A aparência exterior monolítica é-nos apresentada de uma forma exacta, totalmente perceptível no seu conjunto. Trata-se de um grande paralelipípedo forrado a madeira pontuado por aberturas que ora nos deixam antever o interior ora expelem a luz para o exterior. No entanto, esta aparente simplicidade volumétrica exterior revela uma enorme riqueza a nível dos espaços interiores da casa. (Aqui interessa realçar que quando pensamos a habitação unifamiliar há que ir para além do óbvio. Não querendo com isto dizer que devemos complicar, muito pelo contrário, devemos partir de esquemas simples de funcionamento e transpô-los para o espaço de forma a gerar uma maior riqueza espacial que contribua para o bem-estar dos seus habitantes.)


Refiro isto porque nesta obra, apesar da forma exterior ser compacta e facilmente perceptível, o interior é tratado com uma grande dinâmica de forma a gerar espaços interessantes e harmoniosos. A partir de um esquema de funcionamento bastante simples e comum, os arquitectos abordaram o desenho da casa sempre tendo em conta a terceira dimensão, indo para lá do desenho em planta. Ora, claro está que ao olharmos para as plantas apercebemos directamente as diferentes áreas e a forma de organização da casa: o piso inferior é composto por três elementos, a zona de garagem, as áreas de cozinha, banho, entrada e circulações verticais e a grande área de sala sem definição de zonas de uso; o piso superior segue a métrica do anterior e define áreas de quartos com uma circulação central transversal. Nada de novo, é um desenho bastante claro e funcional. No entanto é a partir daqui que eu entendo que a casa começa a ganhar maior valor. Através de uma definição esquemática dos volumes que compõem o interior, os arquitectos partem deste paralelipípedo e recortam-no de forma a gerar novas situações espaciais. Definem deste modo uma organização espacial do
open-space da sala através das zonas de dupla altura que ao permitirem novas entradas de luz, definem “espaços-núcleo” organizando o programa da sala e tornam toda esta área mais rica e definida.

Ainda aquilo que gostaria de destacar é a forma de materialização dos espaços interiores e do exterior do edifício. Através de uma construção simples e económica de betão armado isolado termicamente em ambas as faces, a pele exterior é construída através de placas de madeira dispostas em escama de forma a anularem juntas visíveis, permitindo que tanto a chuva como a neve não penetrem no interior da parede. Os interiores são tratados de forma bastante contida, sendo revestidos na sua totalidade a gesso cartonado pintado de branco onde ainda no piso inferior é definido um lambrim de madeira dando continuação ao soalho do chão gerando uma sensação de conforto através presença deste material.

Poderíamos chegar quase ao ponto de justificar aqui a noção de less is more, não no domínio estético, mas pelo uso de ideias simples, de métodos construtivos baratos e de materiais usuais de forma a conseguir expressões espaciais ricas e uma linguagem clara e sintética. Mas apesar de esta ser mais uma forma desenhar uma habitação, temos sempre algo a aprender e a estudar enquanto modelo.

por João Pereira de Sousa

2 Responses to “Casa K em Stocksund, Tham & Videgård Hansson Arkitekter”


  1. 1 tiago borges | des-conexo.blogspot.com

    Caro João Sousa,

    Obrigado pela apresentação do projecto na “blogosfera portuguesa”.
    Não me parece, no entanto, que a sala funcione em open space como refere. Interessante é o balanço entre sala e espaço de refeições através da lareira.
    Na sala o duplo pé direito não torna o espaço “harmonioso”, pelo contrário: quebra o espaço ao meio, criando uma tensão entre alturas diferentes. (”dinâmico” até pode ser, mas já vi coisas mais dinâmicas!)
    No espaço de refeição (esse sim, em open space com a cozinha) a dupla altura já resulta melhor porque define com mais delicadeza uma zona diferente da casa (situação que se observa numa foto que não postou aqui mas que se encontra no artigo original do arkinetia.com)

    Parabéns pelo blog.

  1. 1 [blog] palavras da arquitectura - Pgina 4 - Arquitectura.pt

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