
‘Puede analizarse el paisaje como una “estrutura” formada por diversos sistemas o tipos de cultivos, dispuestos uno sobre el otro, actuando entre sí a lo largo del tiempo, como resultado de una serie de transformaciones funcionales y morfológicas. El paisaje agrícola es el producto de un proceso de cultivo llevado a cabo sobre el paisaje natural. De algún modo, el paisaje urbano es el resultado de procesos de ingeniería llevados a cabo sobre el paisaje natural y agrícola. (…) La forma del paisaje natural refleja su historia geológica, aunque no lo parezca a simple vista, y es el resultado de la colonización del paisaje natural a través de la trama de cultivos. (…) La forma del paisaje puede explicarse como si estuviera formada por tres capas imaginarias, el paisaje “natural”, el paisaje “agrícola” y el paisaje “arquitectónico”, respectivamente.‘ (in REH, Wouter, STEENBERGEN, Clemens, Arquitectura y paisaje, La proyectación de los grandes jardines europeos, p. 20)
Ao longo da história tem-se interpretado o termo paisagem de diferentes formas, dependendo do contexto cultural, científico e social de um determinado período. Assim, a forma da paisagem, nos dias de hoje, é exemplificativa de uma sucessão de camadas evolutivas de uma colonização da paisagem natural através de uma trama de usos e de transformações. O termo paisagem não deverá, desta forma, ser encarado enquanto elemento estático e virgem, mas enquanto uma estrutura composta por diferentes sistemas, naturais e artificiais, que se sobrepõem e vivem em conjunto na construção da ideia de paisagem.

Bodegas Julián Chivite, Señorío de Arínzano, Navarra, Espanha, Rafael Moneo
Intervir num território não urbano implica, assim, o entendimento das sucessivas estruturas e padrões que organizam e definem a paisagem. Desta forma, a paisagem agrícola constrói-se a partir de uma comunhão entre a tecnologia, o solo e o clima, organizando o plano do território de forma funcional, aproveitando ao máximo os recursos existentes. A leitura do território agrícola enquadra-se sobretudo no domínio das suas formas geométricas humanizadas. A paisagem a que chamamos de ‘natural’ é muito mais do que isso. É uma sucessão de eventos e de transformações humanizadoras que a alteram e redesenham em função do seu uso. Desta forma, a paisagem vitivinícola surge na maioria dos casos como um sistema geométrico de formas e contornos bastante definidos. São alinhamentos e geometrias que se adaptam à topografia local, mas que se autonomizam através da sua imagem distinta. Ao mesmo tempo em que estabelecem uma regra, as vinhas tornam-se, elas próprias, o espelho das variantes topográficas dos terrenos onde se plantam, formando finalmente esta dualidade entre uma estrita ortogonalidade da sua implantação, associada à composição livre de montes, vales e planaltos.

Bodegas en Mendívil, Pamplona, Espanha, Josep Llinás
Os edifícios de Adegas estão claramente indissociados de toda esta envolvente. São por vezes as únicas construções que se avistam por entre as linhas de vinhas. Há no entanto, na maioria dos casos, um esquecimento sobre a forma como se projecta e constrói um edifício de Adega, de dimensões significativas, numa paisagem agrícola regrada e horizontal. A Adega mais comum que se poderá encontrar, é tal e qual como uma nave industrial que se constrói em zonas industriais de média densidade. Porque se pretende um edifício simples e barato para albergar o equipamento necessário à produção do vinho, esquece-se frequentemente a funcionalidade e os requisitos essenciais que a Adega ideal deveria ter, ao mesmo tempo em que não se pensa minimamente no impacto que um edifício de tal escala tem, perante a paisagem agrícola e os pequenos aglomerados rurais. É assim necessário estabelecer um diálogo entre a escala do lugar e a escala da construção; entre a identidade do lugar e a materialidade da construção.
‘Un tableau, une fenêtre, un cadrage, une mise en scène, un point de vue, un panorama sont autant de qualificatifs qui appellent le plaisir d’une appréciation d’un lieu de vie au détour d’une promenade, d’un cheminement.‘ (in DOMON, Gérald, PAQUETTE, Sylvain, POULLAOUEC-GONIDEC, Philippe, Les temps du paysage, p. 7)
João Pereira de Sousa





