
A sustentabilidade, como noção ecológica, veio para ficar. Por necessidade, por moda ou porque se pretende pensar dessa forma, a noção de sustentabilidade ecológica aliada à arquitectura faz já parte do nosso dia-a-dia. Enganem-se aqueles que julgam que me refiro ao uso de tecnologias complexas ou de materiais altamente tecnológicos. A “sustentabilidade” só é sustentável através da sua simplicidade, pela forma como, com poucos recursos se consegue materializar uma construção que funciona, que dura e que certamente continuará a funcionar na perfeição, não dependendo dos numerosos factores externos que são imprescindíveis à maior parte das nossas casas. Algures numa entrevista, Eduardo Souto de Moura vê-se confrontado com a questão sobre a sustentabilidade e, de uma forma bastante segura afirma que a “sustentabilidade” deveria ser algo intrínseco à obra de arquitectura. Da mesma forma que a arquitectura pretende responder a problemas sociais e funcionais, deveria por si só ser sustentável. É esse o seu propósito. Sustentável a nível económico, ambiental, funcional, etc. A noção de sustentabilidade é plural e como tal interessa saber a que se refere e de que forma se comporta na relação com a arquitectura.
Tendo já tido alguma formação em bio-arquitectura e construção sustentável, não deixo de estar interessado em evoluir os meus conhecimentos nesta matéria e por isso mesmo já há uns meses que vou mantendo um link aqui no blog para outro blog de grande interesse pelo nome de: Casa em Arruda dos Vinhos – Diário de Obra da Autoria do Plano B Arquitectura. Ora este blog, antes de mais, é uma excelente fonte de informação (e de formação) sobre construção (sustentável), baseada na apresentação ilustrada e descritiva das fases de obra de uma casa projectada pelo atelier Plano B Arquitectura. Raro em Portugal, este atelier tem no seu currículo uma série de projectos cuja matéria prima é a terra ou a madeira aliadas a métodos de construção tradicional. Esta aproximação à arquitectura através da sua simplicidade e eficácia dos métodos construtivos constitui uma vertente sobre a qual este atelier procura trabalhar, desenvolvendo uma arquitectura com uma finalidade ecológica.

A Casa em Arruda dos Vinhos, a qual tenho vindo a acompanhar através do seu blog, é bastante interessante pelo facto de se partir de uma construção em madeira com paredes em tabique e adobe, aliada a materiais contemporâneos como o policarbonato, o aço e o betão, dando origem aqui a uma grande riqueza espacial, aliada à sua simplicidade formal. Outro aspecto aqui interessante é o facto dos próprios arquitectos participarem na obra e de serem eles também os que contribuem para a tornar real, participando na prática de construção, demonstrando que o arquitecto tem de ir para além dos seus desenhos e das suas idealizações, concretizando-as com as suas próprias mãos.
Este projecto trata-se de uma reconstrução a partir de uma ruína existente. Como o terreno se encontra em reserva ecológica, qualquer intervenção deveria ser feita apenas no perímetro da antiga construção. Como tal, os arquitectos propuseram uma reconstrução, abolindo a ruína mas suportando-se dela para as fundações da nova casa. Assim, de uma forma quase natural se substituíram as paredes de pedra antigas por uma estrutura em madeira de eucalipto cuja volumetria veio igualar a anterior, conforme os regulamentos. Esta simples habitação unifamiliar é composta por um espaço amplo com cozinha e sala com uma organização livre e uma instalação sanitária encerrada.

O uso de técnicas construtivas (ditas) tradicionais e o uso de materiais orgânicos na materialização da estrutura da casa foi desde sempre a necessidade para a materialização deste projecto. Partindo da estrutura de madeira que definiu a forma geral do edifício, as paredes foram enchidas com adobe num sistema de tabiques de forma a gerar uma grande inércia térmica. Do lado exterior a parede recebeu ainda um revestimento de placas de aglomerado de cortiça com 5 centímetros de espessura, de forma a isolar eficazmente as pontes térmicas, seguido do revestimento final com placas de policarbonato ondulado contra a penetração de água a partir do exterior. O revestimento interior é conseguido através da textura deixada pelo sistema de tabique com o adobe, sendo que posteriormente foi pintado de branco. Assim, através de uma secção de parede bastante simples e económica se conseguiu estabelecer um sistema eficaz de isolamentos permitindo que o ambiente interior da casa permaneça o mais estável possível.

Fica então aqui a sugestão de visita do blog Casa em Arruda dos Vinhos – Diário de Obra da Autoria do Plano B Arquitectura.
por João Pereira de Sousa



















