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The Portable Light, Sheila Kennedy

A recente conferência de Sheila Kennedy, no auditório do Museu de Serralves, revelou-se uma excelente descoberta no que diz respeito às preocupações da arquitectura e do design para pelo menos 2 biliões de pessoas neste mundo. Aliás, toda a exposição ‘Design For The Other 90%‘ patente no Cooper-Hewit National Museum em Nova Iorque merece uma atenta visita, para aqueles que tenham a oportunidade de lá ir.

Aquilo que realmente me cativou na exposição de Sheila Kennedy foi uma peça de design que o atelier KVA MATx está a desenvolver de forma a poder torná-la um objecto de grande distribuição e com preços mais acessíveis. Este projecto intitula-se de ‘The Portable Light‘ e tem como objectivo ser um dispositivo de iluminação que possa ser usado em locais onde não existe qualquer distribuição eléctrica, nomeadamente em povoações rurais isoladas, em países subdesenvolvidos.

O projecto ‘The Portable Light‘ consiste num tecido reflector que utiliza a luz do sol para gerar energia eléctrica renovável, armazenando-a e transformando-a em luz através de duas pequenas lâmpadas, podendo ser usado numa escala global em zonas onde não existe rede eléctrica. O tecido que compõe este objecto é totalmente adaptável e leve de tal forma que os arquitectos criaram protótipos que pudessem ser enviados e transportados segundo normas estandardizadas, podendo assim chegar facilmente a qualquer parte do mundo. A grande vantagem deste produto encontra-se no facto de ser extremamente maleável e transportável, podendo ser usado por qualquer pessoa, tornando-se um objecto essencial no seu dia-a-dia.

Este projecto foi apresentado através de uma equipa de arquitectos, antropólogos, engenheiros e médicos, à comunidade indígena Huichol (Wirrárica), a qual vive numa área remota da Sierra Madre no México. A elevada adaptabilidade destes objectos tornou-se importante já que estas tribos se deslocam constantemente em zonas remotas de muito difícil acesso, podendo assim servir as suas necessidades, transportando-os durante o dia e usando-os à noite quando esta é a única luz disponível. Aquilo que realmente demonstra a força deste projecto é o facto destas comunidades se adaptarem imediatamente a este produto, integrando-o nos seus costumes e quotidiano, tornando-o praticamente indispensável nos dias de hoje. Através de esta experiência podemos ver famílias reunidas durante a noite, crianças a estudar, as mulheres a cozinhar e todo um desenvolvimento de práticas sociais nocturnas possíveis de serem realizadas através desta tecnologia.

Acima de tudo aquilo que importa reter deste projecto é o facto de através de uma tecnologia já existente ser possível uma reinterpretação e uma adaptação a necessidades específicas. Este projecto está a dar que falar e tornou-se indispensável para as comunidades que usufruem dele. Resta-nos incentivar e promover o desenvolvimento de projectos como este que de forma tão simples modificam hábitos, trazem qualidade de vida e tornam mais digna a vida de pessoas como nós.

Portable Light Project

por João Sousa

o Sol do Estoril

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A partir do que seria mais um comentário ao artigo publicado sobre o vídeo promocional do futuro complexo Estoril Sol no AspirinaLight, decidi torná-lo mais abrangente a abrir um pouco mais a discussão.


Quanto ao vídeo, pouco se poderá dizer. Tenhamos nós suficiente auto-crítica para nos distanciarmos de tantos clichés e observemos o desenlace ridículo que todo este vídeo promocional nos proporciona. Pretende desde logo atingir um tipo de mercado (outra coisa não seria de esperar), mercado esse definido pelas duas personagens femininas com sotaque à la Cascais, digno das melhores (tristes) tias de Portugal. As quais certamente nos seus minutos de repouso entre sessões de spa e de ioga com personal trainer pensarão intensamente em como seria acordar e ver o mar; lavar os dentes e ver o mar; tomar banho e ver o mar; tomar o pequeno-almoço e ver o mar; ler uma revista e ver o mar; ver televisão e por detrás desta, ver o mar. E para aquelas que bem convenceram os maridos de que esta é a casa ideal ainda poderão ter uma piscina que se extende para o mar!

Como poderemos nós subjugar-nos a tamanho desfile de futilidades encontradas em palavras-chave como “jardim paradisíaco”, “a definição de excelência”, “viver numa obra de arte”, “enormes superfícies transparentes”, como definição de um standard de vida sem que caiamos num mísero desespero de afirmação de um status social digno daquilo que pensamos ser? Queremos nós ser tão diferentes do povo, “viver na zona mais bem localizada de sempre”, de forma a ghettizarmo-nos, a idolatrarmo-nos, a sermos símbolos de uma nova “obra de arte” que marcará a paisagem nos próximos anos? E como se o mar não chegasse ainda temos imagens do mar dentro do elevador!

E as questões colocam-se. Não estaremos nós a criar um novo Estoril Sol, condenado ao fracasso como o que está a ser demolido actualmente? Será esta a visão que queremos ter da Baía de Cascais e do Vale da Ribeira da Castelhana? Então para que queremos uma praia privativa onde entre a nossa habitação e a praia temos uma marginal e uma linha de comboio? Será assim tão convidativa? Não estaremos nós a Dubaízar a paisagem de Cascais, a querer ter ainda mais do que aquilo que o lugar nos oferece?

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O problema coloca-se agora no lado dos arquitectos. Que visão urbana deveremos ter perante aquele lugar uma vez que não é o antigo Estoril Sol que desejamos? Será de bom senso destruir esta antiga aberração e criar uma nova construção tão ou mais densa que a anterior? Aqui claramente os valores urbanos e arquitectónicos foram suplantados pela pressão imobiliária imposta. Tenho dificuldade em crer que um arquitecto como o Gonçalo Byrne acredite que esta será a melhor opção para o local, criando um enorme bloco sólido de betão e vidro que se debruça sobre a estrada e o mar. E numa época em que tanto se fala de sustentabilidade, por vezes surgem projectos (como este) que desafiam estes conceitos, ignorando à partida questões tão essenciais como o conforto térmico das habitações, resolvendo-o através de climatizações tão banais, provenientes da necessidade de ter todos os alçados em vidro, sejam eles a norte ou a sul.

E desta forma se exprime a “excelência”, aquilo que é viver numa “obra de arte”. A arquitectura surge aqui como obra máxima do poder imobiliário, utilizam-se termos e nomes que nos fazem crer que é realmente algo de excepcional viver num complexo destes. Ser abraçado pelo mar, dia e noite, durante 24 horas, banalizando-o, tornando-o tão comum quanto as paredes da nossa casa. Sejamos racionais!

por João Sousa

Trienal de Arquitectura de Lisboa

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A temática global, os “vazios urbanos” foi algo que por diversas razões esteve sempre presente ao longo das exposições desta Trienal. Aliás, as cidades só existem pela conjugação dos vazios e cheios que as compõem, que lhes dão identidade e as individualizam. No entanto, nestes “vazios urbanos”, é possível notar algumas particularidades que os definem e lhes dão forma e carácter. Mas antes de mais o que são “vazios urbanos” e como poderemos identificá-los? Serão apenas espaços livres de ocupação por entre construções? Poderão ser praças, largos, ruas, vielas, rios, lagos, montes, jardins, parques, que encontramos em diversas cidades? Assim sendo, um “vazio urbano” poderá ter mais do que um significado, poderá ser benéfico ou não para a cidade, poderá ser utilizável ou não, … Deveremos então poder identificar claramente o que são “vazios urbanos” maus e bons, por assim dizer. Sob os quais deveremos intervir mais, ou menos, de forma a que mesmo um “vazio” se encha de identidade e carácter que permita uma função e um uso.
Desde as primeiras cidades que podemos observar uma proliferação de vazios que, com usos distintos, são essenciais à vivência das mesmas. É num “vazio” que se cria o comércio, que se estabelecem laços e relações e que se faz a vida social urbana. Ora, aquilo que herdamos de milénios de história são modus operandi que originaram aglomerados urbanos, construções e vazios, diferentes aspectos que levaram as cidades históricas ao que são hoje e que as conduzem numa evolução sistemática ao longo dos tempos.

O que se pôde observar através uma visita atempada à exposição principal no pavilhão de Portugal foi uma diversidade de aproximações aos aspectos vazios de cidades distintas que resultam em projectos mais ou menos inventivos onde aquilo que se torna mais interessante é precisamente entender a posição dos autores dos projectos em conjunto com as políticas urbanas dos países e a ideologia inerente ao uso da cidade.
Começando pela secção da Irlanda, são apresentados vários projectos de ocupação e de desocupação de cidades numa tentativa de resposta aos critérios da exposição. Salienta-se aqui uma atitude perante o “vazio”, a construção em altura como forma de reaproveitamento do espaço público. A secção da Holanda apresenta uma diversidade de projectos urbanos que realçam as preocupações urbanas deste país. Com cada vez menos espaço disponível para a construção, os holandeses vêem-se forçados a ser cada vez mais organizados de forma a poderem usufruir dos vazios enquanto expandem as suas cidades. Aqui é notória uma atitude, o horror vacuí enquanto elemento de dispersão urbana. Pretende-se dar uso a todos os espaços da cidade e numa tentativa quase desesperada, de reocupar e reordenar os centros das cidades, gerando implosões urbanas. O Canadá exibe uma atitude claramente contrastante com as anteriores e que se revela de grande interesse no desenrolar da exposição. Através de uma instalação audiovisual pretendem retratar cinco rios urbanos do Canadá enquanto “vazios” geradores de habitats de fauna e flora essenciais ao equilíbrio biológico das cidades. Tornam-se por isso “vazios” necessários por si só e essenciais para o aparecimento e desenvolvimento destas cidades. Por outro lado, o Chile pretende mostrar que é um território de imensos contrastes territoriais. Desde florestas tropicais a desertos secos e massas de gelo, o Chile adquiriu uma identidade territorial altamente diversificada. Com poucas cidades, grande parte deste país vive na sua plenitude natural onde aqui a arquitectura não se pretende impor ao lugar, mas pretende fazer parte desse lugar, habitando o vazio.

O Pólo Cascais XXI apresentava uma exposição de projectos culturais de diversas autorias para o novo século. Aqui salienta-se claramente uma aposta na renovação urbana como factor de criação de novos pólos culturais. Destacam-se deste modo o projecto dos Aires Mateus para o Farol Museu de Santa Marta, um edifício recentemente inaugurado conferindo uma nova imagem, mais limpa, ao local, dignificando esta parte da paisagem de Cascais. Torna-se no entanto uma proposta demasiado formalista (como é habitual) que a certa altura ignora aspectos funcionais básicos para acompanhar uma ideia conceptual. Também a futura Casa das Histórias e Desenhos de Paula Rego projectada pelo arquitecto Eduardo Souto de Moura se encontrava em exposição, revelando ser um edifício de implantação segura no local, marcado apenas por dois grandes volumes verticais que se erguem na paisagem. Destaca-se também a reabilitação da Fortaleza da Luz pelos arquitectos Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos onde, numa intervenção quase mínima, pretendem tornar os espaços do forte em espaços de contemplação e de introspecção, através de percursos circundantes e instalações de luzes que tornam a matéria viva e expressiva.

O Pólo da Cordoaria Nacional foi analisado com menos tempo do que o necessário, mas ainda assim se revelou uma exposição de bastante interesse sobre a actualidade das cidades portuguesas. Acima de tudo aquilo que ficou expresso através do longo percurso contínuo de imagens, desenhos e maquetas é que a arquitectura em Portugal está viva e que felizmente há um contínuo pensar sobre a cidade, mesmo que por uma pequena minoria de profissionais. Destacam-se projectos tão distintos como o pavilhão Multiusos de Gondomar ao novo Santurário de Fátima e do projecto de reabilitação da baixa do Porto às propostas urbanas para cidades como S. João da Madeira ou Santa Maria da Feira.

Em jeito de conclusão, há aspectos que se destacam nas exposições e que interessa reflectir. De uma forma geral aquilo que mais transparece nesta trienal dedicada aos “vazios urbanos” é uma atitude, já anteriormente comentada, de Horror Vacuí. Deste modo é frequentemente visível uma mesma atitude perante um vazio: dar-lhe forma. Mas será que um “vazio” não poderá ser caracterizado e usado enquanto ausência de massa tendo em si próprio uma função benéfica para a cidade? Tal como foi demonstrado na exposição do Canadá, os “vazios” são essenciais às cidades, à nossa vida, são essenciais por serem assim mesmo: vazios de massa mas cheios de conteúdo. Enquanto atitude de combate ao “vazio urbano”, os projectos holandeses demonstram uma posição extrema no que diz respeito à gestão desses mesmos “vazios”. De forma bastante objectiva e regrada são definidos “vazios urbanos” essenciais à cidade, assegurando funções especificas para cada um deles na tentativa de evitar situações de desordenamento urbano. Mas serão estas cidades, privadas de “vazios urbanos”, tão ou mais interessantes que as cidades convencionais, retrato de uma evolução histórica sistemática? Teremos de esperar para ver.

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por João Sousa

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Após um breve período de férias, o blog Palavras da Arquitectura prepara-se para mais uma temporada de trabalho, pensamento, discussão e crítica. Pretende-se dar continuidade àquilo que se tem vindo a fazer, focalizando cada vez mais a discussão da arquitectura em aspectos intrínsecos à prática, deixando para segundo plano análises puramente formais que em nada contribuem para um pensar e discutir de arquitectura.

Com isto, enquanto autor do blog, vinha pedir algum feedback em forma de comentário ao post aos constantes ou ocasionais leitores de forma a que teçam alguns comentários sobre a evolução deste blog e caso queiram, que façam sugestões sobre o desenvolvimento deste mesmo espaço.

Aproveito também desta forma para anunciar um novo espaço de divulgação fotográfica da minha autoria que irá certamente complementar as imagens que ilustram as Palavras deste blog.
Sugiro assim a visita do: flickr.com/photos/asimplemind

João Sousa

Pavilhão Multiusos - Álvaro Siza Vieira

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A partir da recente inauguração do novo pavilhão multiusos de Gondomar e após uma breve visita ao edifício, aproveito para estabelecer um paralelo entre as duas obras recentes de conteúdo desportivo do arquitecto Álvaro Siza: o Parc Esportiu Llobregat e o Pavilhão Multiusos de Gondomar.

Aquilo que desde logo transparece de uma leitura rápida dos dois edifícios é que ambos são criados não para zonas de cidade já consolidada mas, de forma a regular a construção de um plano urbanístico que redesenhará cada uma das zonas nos próximos anos. Estes edifícios são por isso excepções, os elementos de identificação de um território, o erguer da pedra como marcação de um lugar. Neste sentido, estas obras estabelecem desde logo uma ruptura com a envolvente tomando o devido protagonismo enquanto edifícios de carácter colectivo e social. Esta relação com a envolvente torna-se importante para a análise das obras uma vez que ambas se desenvolvem para o seu interior, encerrando em si os espaços interiores e exteriores do edifício, protegendo-os do ambiente urbano.

O Parc Esportiu Llobregat é, desde logo, um edifício que se deverá entender como um conjunto de elementos que na sua totalidade formam o programa previsto. Desta forma, o arquitecto solta o edifício dos limites do quarteirão, criando momentos de abertura, formas de percepção dos diferentes espaços do edifício, recolhendo a entrada para uma zona retirada dos limites. De forma a organizar racionalmente as diferentes partes do programa, o arquitecto recorre a um elemento longitudinal que permite estabelecer ligações a partir do momento de entrada no edifício, às zonas de balneários e finalmente à piscina e ao campo de jogos. De uma forma bastante clara estabelece-se logo este organigrama funcional que definirá tanto a organização espacial como a formalização volumétrica do edifício. O corpo do campo do jogos assume-se através de uma massa compacta no exterior que permite encerrar os espaços internos onde se desenrolam as actividades. A piscina assume aqui uma posição de destaque. Sem nada a que se agarrar, a piscina surge quase como um elemento amorfo, uma membrana que se solta e que se expande livremente para fora do edifício. É então que surge uma vontade de a controlar. Urge a necessidade de a cercar, de a isolar de todo o entorno do edificado. Surge assim o culminar de uma composição que se desenrola horizontalmente, com momentos de ruptura, onde o arquitecto livremente desenha através de um único gesto um corpo curvo que encerra o espaço exterior da piscina. É como que um abraçar, um encerrar entre braços algo que nos é precioso. Torna-se uma peça primordial na composição e não a podemos imaginar sem ela. Não fará mais sentido…

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O Pavilhão Multiusos de Gondomar surge claramente relacionado com a forma de pensar anterior e chega mesmo a reinterpretar alguns elementos que se encontram no edifício de Barcelona. A forma elíptica do corpo principal do edifício pretende mais uma vez remeter para uma forma primitiva de demarcação de uma espaço. É um abraçar, um gesto caloroso que encerra o seu núcleo de forma a guardá-lo do exterior. Os outros volumes vêm complementar esta composição escultórica, tornando-a horizontal, dissipando a sua monumentalidade, humanizando-a. É através desta atitude de relação com o homem que poderemos interpretar o elemento de excepção de toda a composição. É como que através do desenhar da trajectória de uma bola a cair no chão que se materializa de forma espantosa a pala curva (claro está!), culminando através de um gesto escultórico num elemento de recolha de água que se desliga (aparentemente) da pala curva, revelando uma imagem de leveza que remeterá certamente para um desenho expressivo característico de Niemeyer. Aqui é a entrada. Desenha-se a partir de um gesto único e seguro.
Por outro lado toda esta massa construída nos faz pensar em Khan. Faz-nos sentir aquele gesto duro e rigoroso presente nas obras do Bangladesh e da Índia, a aparente primordialidade do gesto, da forma, da função. Aqui Siza demarca um território e estabelece um lugar. O resto deverá adaptar-se ao seu gesto, seguir as orientações traçadas e deixá-lo ser único em si próprio.

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Se por um lado, no edifício de Barcelona a qualidade da obra acompanha o rigor do desenho, no edifício de Gondomar, surpreendentemente, a obra pouco enobrece o desenho. Desvendam-se falhas de rigor, falta de acompanhamento, falta de orçamento, algo incomum em Siza e que nos faz pensar até que ponto poderá a concretização da obra dignificar ou danificar o desenho? Teria vontade de ver este edifício executado com o rigor do anterior. Mas, de certo modo, mesmo assim esta obra demonstra uma vontade crítica. Parte de um gesto e desenha-se para o concretizar. Encerra-se do exterior voltando-se para si, para os seus acontecimentos. Quer parecer-se estranha (e é), fazendo-nos querer entrar. Não será tudo isto também arquitectura?

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por João Sousa